Grande Recife pede mais respeito às religiões com ação em Xambá

O Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa (21 de novembro) foi lembrado pelo Grande Recife Consórcio de Transportes com uma ação no Terminal Integrado Xambá. A atividade reuniu representantes de diversos segmentos religiosos que, juntos, pediram mais respeito às diferentes crenças, sobretudo, nos espaços públicos. A iniciativa partiu de uma solicitação da própria comunidade que tem sido vítima de preconceito no terminal e nos ônibus.

Um arrastão cultural chamou a atenção de todos para o TI Xambá onde as crianças das orquestras da Igreja Batista dos Bultrins e Tambores de Xambá tocaram músicas clássicas e africanas. Entre uma música e outra, membros das igrejas católica, evangélica e anglicana, além de praticantes do candomblé, umbanda, doutrina espírita, entre outras vertentes religiosas saudavam os usuários do terminal com mensagens de amor e paz.

“Desde o Concílio Vaticano II, na década de 1960, a igreja católica orienta para a abertura do diálogo com as diferentes religiões, de respeitarmos o direito à liberdade religiosa”, comentou o Frei Tito Figueirôa, representante do Catolicismo, na abertura da atividade. “É preciso mudar as cabeças para chegar aos corações”, disse ele sobre a necessidade de mudança no comportamento das pessoas.

Segundo Guitinho de Xambá, morador do bairro e um dos articuladores da atividade, tudo aconteceu por uma inquietação da comunidade que muitas vezes é vítima de preconceito dentro do Terminal. “O TI é um equipamento por onde passam pessoas de diversas religiões e elas não podem ser ofendidas. Por isso, procuramos o Grande Recife e abrimos este diálogo com o poder público. Envolver as crianças através do lúdico e do litúrgico traz a visão de um mundo melhor”, argumentou sobre a participação do público.

O pastor Saulo Guimarães, diretor da EREM Padre Francisco Carneiro que fica na área, lembrou um trecho da carta de Paulo aos Coríntios: “Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine. Isso quer dizer que, de nada adianta termos todo um farto conhecimento teológico se não temos amor pelo nosso próximo”, completou.

Com base no Art. 208, do Código Penal, o gerente de Relacionamento do Consórcio, Marcus Petrônio Iglesias, destacou que fiscais, motoristas e cobradores têm sido orientados a encaminhar para a delegacia casos de intolerância religiosa. “Vamos seguir o mesmo protocolo utilizado, por exemplo, para quando uma mulher é importunada nos ônibus. A viagem é suspensa, as portas do coletivo são fechadas e o motorista deve procurar a delegacia mais próxima”, explicou.

Para encerrar a atividade, um exemplar de paineira africana foi plantada dentro do Terminal Integrado Xambá e cada um dos religiosos presentes teve a oportunidade de aguar a árvore deixando boas energias e preces.